Na Calada da Noite

Se tem algo que muda quando nos tornamos mães são as madrugadas. Eu sei que existem bebês que são anjos na terra, e por milagre divino dormem 6 ou 8 horas seguidas durante a noite.  Não era (e continua não sendo) o caso do Fernando.

Mas mesmo assim, até para essas mães a madrugada se transforma, porque é no silêncio que os medos das mães de primeira viagem tomam forma.

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Desde que o Fernando tinha 7 dias ele foi para o próprio quarto,à portas fechadas, pois temos dois gatos notívagos e barulhentos, e eu me agarrei ao meu “cobertor de segurança” , a babá eletrônica.  Com ela, eu tinha  a tranquilidade que a cada suspiro do meu bebê, eu ouviria e poderia acudi-lo prontamente.

Então, de hora em hora, ou de 40 em 40 minutos, ou felizmente de 2 a 3 horas, ouço os berros do meu pequeno, e roteiro é seguinte: Corro para o quarto ao lado, pego ele no colo, sento na poltrona e dou o seio, completamente sonambula, no piloto automático. Às vezes ele volta a dormir rapidinho, ai que alívio, ás vezes é mais de meia hora embalando, e ás vezes o levo para minha cama, onde dorme e mama até a manhã, ou até o marido começar a roncar e acordá-lo.

E nesse vai e vem louco da madrugada, eu que brigo comigo mesmo para voltar a dormir, a babá não dá folga, cada suspiro do Fernando está em alto e bom som nos meus ouvidos, e eu penso “agora ele vai acordar”, e 5 minutos se passam em completo silêncio, bom, tenho que voltar a dormir, e o sono que não vem. Viro pra um lado, viro pro outro, penso se o tapei direito, se ele está com frio, ou se tapei demais e ele está suando, será que ajeitei o travesseiro certo, será que a janela está bem fechada, será que ele está respirando??? Buaaaaa, é a resposta, e lá vou eu de novo, colo, poltrona, seio, embalo, arroto, embalo e berço, Ufa!!! Agora eu que vou dormir!

E toda a lista de coisas que tenho que fazer no outro dia, rodam na minha cabeça, e toda a exaustão toma conta do meu corpo, e eu só penso, eu tenho que dormir, amanhã é um longo dia, eu preciso dormir!!! Fecho os olhos, conto 26 carneirinho pulando por uma cerca branca, puft, dormi. Buaaaaaa. Olha nóis aqui traveiz!!

Tudo de novo, colo, embalo, seio, embalo, poltrona, seio, embalo, arroto, berço, ufa. Volto pra cama, ele geme, para de gemer e dorme, eu durmo. Umas 3 horas se passam, olho no relógio, são 8 horas da manhã! Não acredito, são 8 HORAS da manhã, que benção, e ai vem o pensamento “ai Meu Deus, será que ele está bem? Ele está bem sim Alessandra, deixa de bobagem”, digo pra mim mesma. “Mas se ele não estiver?” Ai você pensa que se abrir a porta do quarto ele com certeza vai acordar, respira fundo, pensa em que ponto de neurose está, e dorme profundamente mais 15 minutinhos, afinal, 15 minutinhos não vão fazer diferença, nesses divinos minutos você vai estar nova pra começar o dia de mãe, e sobreviver a próxima maratona noturna (assim você pensa). Buaaaaaaaaaaaaaaaaa.

E magicamente o sorriso daquele anjinho de olhos azuis me fazem esquecer as olheiras, o sono, o cansaço, a noite mal dormida…E eu sorrindo respondo ao olhar dele:

Bom dia Fernandinho meu amor!

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