O parto que não escolhi

Uma certeza na minha vida: Teria filhos.

Algo que nunca pensei: Como seria meu parto.

Quando engravidei do Fernando, curti muito a gestação (tirando os enjôos e a azia), curti ser paparicada, cuidada, curti a preocupação dos outros com meu bem estar, curti os comentarios carinhosos dados por completos desconhecidos, curti os carinhos na barriga. E passava meu tempo pensando e imaginando ter aquele bebê em meus braços.

Parto? Que parto? Não tem uma máquina que faz por teletransporte?

Definitivamente não queria pensar nisso, os relatos de parto normal que tinha na família não eram dos mais incentivadores, aliás, pouco se falava. Amigas que tiveram cesáreas me falavam o quão tranquilo era. E por este lado eu ficava atraída, mas sempre achei que ter um bebê amarrada numa cama, em um centro cirurgico não era algo que me emocionava para o dia que deveria ser o melhor da minha vida.

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Meu marido é mega defensor do parto normal, tivemos uma briga feia quando falei que quem decidiria isso seria eu. Naquele momento ele já demonstrou o quanto seria um pai participativo, e eu só fiquei irritada de achar que ele não se importaria com o que eu iria passar.

Adoro os programas da Discovery Home & Health sobre partos, grávida, eu não perdia um. Vi alguns documentários. Decidi que iria deixar acontecer o que tivesse que acontecer. Marcaria uma cesárea próxima de 41 semanas só por descargo de consciência,  ele nasceria de parto normal se viesse antes disso.

Por N motivos minha obstetra não faria o parto (plano de saúde com carência, troca de plano e etc), e eu iria para o Plantão Obstétrico do Hospital Ernesto Dornelles.

Ok, eu não queria gastar energia nesse assunto, não queria ficar ansiosa. Pronto, seria o que Deus quisesse.

Com 39 semanas e 5 dias o tampão saiu, era uma Sexta-feira a noite, perto das 22h. Comecei a ter contrações bem leves e descompassadas, mas começou a sair liquido transparente com um pouco de sangue.

A 1h da manhã decidimos ir pra maternidade, porque queria saber o que estava acontecendo. Eu não sentia dor nem nada, estava tranquila. Cheguei na triagem e averiguaram que eu estava com 3 cm de dilatação e com a bolsa rota, então deveria ser internada.

Aí que começou o suplicio, nada de água, nada de comida, uma sala pequena sem espaço para me movimentar, soro na veia, remedio pra dor na veia (não pedi, juro). E tudo que podia fazer era ficar deitada e esperar.

Um pouco mais de 1 hora internada, a equipe de plantão já começou a fazer campanha pró-cesárea, toda vez que me examinava diziam que era bom começar a pensar na opção da cesarea. Eu estava bem, o bebê estava bem, e eu comecei a perceber que só com muita força de vontade teria parto normal.

Passei a madrugada toda assim, com contrações cada vez mais fracas (acredito que por conta do remédio pra dor e por ficar só deitada), com muuuuuuita sede, e me sentindo cada vez mais desencorajada.

As 10h da manhã o obstetra de plantão veio falar conosco, disse que achava melhor a cesárea, pois não estava evoluindo, mas a gente que sabia, a decisão era nossa. Como é que um casal de desinformados sobre assunto, sem dormir a noite toda, vai achar algo diferente do médico. Se ele achava que era melhor, quem éramos nós dois pra contrariar.

Eu pedi para me examinarem, se estivesse com mais dilatação eu ia esperar, não pensaria em cesárea. Continuava com os mesmos 3 cm (hoje tenho minhas dúvidas se não disseram isso só para me convencer).

Enfim, cesárea aceita, tudo muito rápido, passei mal da anestesia o tempo todo, me senti muito “grog”, as 11h07 da manhã nasceu o Fernando, com 3,790kg e 51,5, comprido e branquelo que nem a mamãe.

Veio rapidinho pro meu colo, e foi se embora com o pai pra todos aqueles exames e procedimentos padrões.

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Ficamos juntos na sala de recuperação, e comecei a “lamber a cria” ali, e foi só nesse momento, umas 2 horas depois do parto que ele mamou. Demorava pra pegar o peito, mas mamava bem, desde o primeiro momento. E desde então não tive nenhuma dúvida que havia nascido pra ser mãe. Estávamos conectados, mãe e filho.

Mas tive uma recuperação péssima, muuuuuita dor, não conseguia fazer nada sozinha por 1 semana. E isso me deixava extremamente nervosa. Não podia cuidar do meu filho sem auxilio. O maridão foi maravilhoso, cuidava de nós dois com muito empenho e amor. Ficamos muito mais unidos.

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Enfim, não tenho lembranças boas do parto em si, e só depois dessa experiência fui ler sobre o assunto e vi que minha história poderia ter sido diferente se tivesse me preparado e me informado mais. Estava decidido e sacramentado, em um próximo filho faria diferente, seria diferente, não deixaria ninguém decidir por mim, e tomaria as decisões com base em informação e conhecimento.

Não sou ativisita do parto normal de forma nenhuma, sou ativista das mulheres se informarem, e tomarem decisões sem esta dependencia infantil que temos dos médicos. Não acho que quem faz cesárea não se conecta com o filho,  assim como as de parto normal, porque se fosse assim, que chance teriam de amor os bebês adotados?

Sei que tem muito hormônio liberado no parto normal que ativa os instintos mais primitivos para que a mãe proteja e ame o bebê, mas o ser humano é um ser complexo e racional, não é só de hormônios que se constroi o amor.

Concordo que o bebê dá sinais de que está pronto para nascer, e com a importância dos hormônios do trabalho de parto para o amadurecimento dos pulmões, e sou completamente a favor das cesareas que salvam vidas, e/ou realizadas de acordo com o tempo certo do bebê (lembrando que o Brasil é um campeão em prematuridade).

Mulher tem filhos desde o início da humanidade, por que não podemos entender e saber como funciona nosso corpo? Por que é melhor esperar o tempo do bebê? Não gosto de pensar que a minha vida e do meu bebê está a mercê da agenda e conveniencia de alguem! A minha vida e a dos meus filhos é prioridade absoluta, e quero que seja tratada como tal.

Utopia? Não sei.

Que essa nova vida tenha uma história diferente na minha vida.

Beijos com carinho,

Ale,

 

 

 

 

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