Mãe, prematuramente, do Davi

Gurias, quando mudei o nome do blog para Porto Materno, sabia que queria compartilhar, e me envolver com histórias de outras mães que estão no mesmo barco, ou em mares muito próximos. Trocar experiências é dar amor, carinho e compreensão, e não é o que toda mãe precisa? 

E se tem um motivo que une todas as mães, não importa idade, classe, cor, ideologias e religião, é o medo de que algo de ruim possa acontecer aos nossos filhos. Para estrear a coluna de mães convidadas, veio aqui a recente mamãe Mariana Gertz, que teve o Davi prematuramente, e está passando pela experiência de CTI neonatal. A história é emocionante.

“Talvez minha existência em uma CTI neonatal só tenha de fato começado no dia 9 de agosto, ao abrir o bloco de notas do celular e começar a contar os dias. fazia 1 dia.

O pior com certeza não era estar la, mas sim a angústia de não saber. Não saber quando meu filho ia sair de lá, quando ele ia sair do respirador, quando ia receber de fato o meu leite (ainda que por sonda). Bom, nem preciso expor pra nenhuma mãe a angústia e vazio que eu sentia naquele dia, até porque tenho certeza que todas iriam se por no meu lugar e sentir também a minha dor.

Estar em uma CTI neonatal é com certeza entrar em outro mundo! o primeiro dia vai ser o dia mais assustador da vida de qualquer mãe, o segundo também, e talvez demore 1 semana para o pavor passar e a gente finalmente aceitar a situação de fato.

Engravidei com 18 anos, minha gravidez não foi nada planejada (embora eu ame meu namorado a 4 anos), o Davi foi sim muito esperado, mas não planejado. Não com a minha idade. Além de já estar em uma gravidez inesperada, com 18 anos, me vi dentro do Mãe de Deus (não era o hospital que eu gostaria de ter ganhado) dentro de uma neonatal, assim, do nada. Como se tudo aquilo tivesse acontecendo como um pesadelo.11988308_879579278794726_3772123373130345600_n

Estar dentro deste ”Novo Mundo” é aterrissar em uma terra totalmente nova, onde somos obrigadas a ser fortes, obrigadas a amadurecer na marra (foi o meu caso), obrigadas a viver um dia de cada vez, não esperando só noticias boas, pra não gerar a tal frustração e principalmente a tão falada angústias de uma mãe de neo.

Eu saía do hospital, atravessava as ruas sem notar que o mundo continuava igual e indiferente à minha dor. Sim, a dor é inevitável, e temos que senti-la, enfrentar, e todo dia repetir que é só uma fase. E essa é a pior parte, repetir para nós mesmas que aquilo vai passar. Mas como escutar nossa consciência? indo todos os dias pra casa sem o meu filho, sem tudo que planejei nesses (poucos) meses?!

O que me acalenta? É pensar que as maiores batalhas são sempre para os melhores e maiores guerreiros. Hoje, estamos a 49 dias lá dentro, e pra falar a real verdade, eu tirei mais coisas boas de lá do que ruins! Conheci pessoas, fiz inimizades(e muitas amizades também) com enfermeiros, dei colo para outras mamães, chorei (MUITO), ri, conversei, troquei sentimentos, conversas, dúvidas, enfim…

Estamos quase acabando nossa jornada, e apesar do caminho ser duro, eu amadureci, sou outra pessoa, e tenho certeza que nunca mais na minha vida vou esquecer tudo isso. Sim, essa foi a história do meu Davi.

Meu maior abraço e admiração a tantas outras também mamães de neo natal. Nós somos fortes e transbordamos amor! Muito amor.”

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5 comentários sobre “Mãe, prematuramente, do Davi

  1. Adorei a postagem!
    Sou suapeita em falar sobre a Mariana, porque é minha sobrinha, minha filha do coração. Foi o primeiro bebê na família e por 9 anos a única criança das duas famílias- por parte de mãe e pai. Ela foi muito mimada e amada por todos e com certeza essa experiência que ela relata foi, e ainda esta sendo, transformadora…. ela se transformou em uma MULHER e uma mãe exemplar para o nosso “gurizinho” o Davi.
    Parabéns Mariana por esse texto emocionante!
    Para variar … chorei ao ler e estou muito orgulhosa de ti!
    Ale, obrigada por dar esse oportunidade a nossa menina/mulher… esta sendo muito importante esse relato e essa experiência! Mil bjs

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    • Paty querida, a história dela me emociona muito, pela idade dela, pela maturidade que precisou ter, e com um momento tão delicado que ela vive, que deixaria as tais “mulheres maduras” como nós, extremamente abaladas.
      Espero que ela compartilhando a história, possa sentir mais amada e apoiada!!!
      Davi tem muita sorte de ter vindo na família linda de vocês!
      Beijos

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  2. Conheci a Mari uma menina ainda brincando com a vizinha de vender sucos. É uma menina linda, tem um brilho e uma suavidade no olhar e quando ela postou que estava gravida fiquei impressionada pelo fato dela ser tão jovem, a partir daí comecei a acompanhar tudo o que ela postava e fiquei triste com o fato do bebê nascer prematuro. Li o texto e achei de uma beleza incrível e percebi que a menina se tornou uma mulher em tão pouco tempo e o Davi é um guerreiro que a cada dia tem surpreendido a todos. Que Deus permita que ele fica cada vez mais forte e a a família possa viver intensamente esse momento.

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  3. Pingback: Mãe e Filho | Porto Materno

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