Relato de Parto – Parte 1 – Em casa

O parto da Olívia foi imaginado na minha cabeça antes mesmo dela ser concebida. Desde que passei pela experiência da cesárea com o Fernando ficava imaginando como teria sido se fosse parto normal, li mais relatos e fui atrás de informação para entender o por quê do parto não ter evoluído. Então entendi que para ter um parto como eu imaginava, teria que me planejar, me informar, me preparar. Dependeria 90% de mim e apenas 10% do destino e da equipe que me acompanharia.

Sabia que teria um segundo filho mais cedo ou mais tarde, e teria oportunidade de fazer diferente. Aí surgiu a gravidez da Olívia, adiantada em 2 anos nos nossos planejamentos, mas não menos amada e querida.

Caí de cabeça em livros, em pesquisas, em fatos e dados, afinal, muitos falavam de risco de parto normal após uma cesárea. Procurei grupos de apoio, busquei uma doula e fui visitar hospitais. Se existisse um certificado de “Preparada para o parto”, eu teria recebido…hehehe.

Por conta das famosas taxas de disponibilidade cobradas pela maioria dos obstetras, resolvi que teria o parto com uma equipe de plantão. Pelo meu convênio a única opção de hospital com plantão obstétrico em Porto Alegre seria a Santa Casa, mas depois de ir à um grupo de apoio e ouvir relatos de parto pelo SUS no Hospital Conceição, fiquei muito animada e resolvi escolher entre os 2 hospitais.

Visitei a Santa Casa, e eles estavam em reformas, além disso não seria possível a presença de doula, eles também não tinham salas individuais PPP (Pré-Parto, Parto e Pós-Parto), senti que lá não seria o lugar. Então fui no Conceição, me encantei com as salas de pré-parto, fiquei tranquila com os quartos para internação que eram em sua maioria duplos (não queria ficar num quarto coletivo imenso). também tenho uma amiga que fez residência lá e me deixou super tranquila quanto questões de equipe médica, medicamentos e infra-estrutura.

Pronto, decidido, tinha escolhido o Hospital e a minha Doula Janine. Agora era só esperar. Pra mim a Olívia nasceria antes das 40 semanas, afinal eu fazia tanto esforço físico com o Fernando, estava quente, eu vivia tomando banho de piscina, caminhando pra lá e pra cá, já tinha contrações de treinamento desde as 25 semanas, então ela viria antes, fato!

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Foto: Jennifer Inda

A data de parto prevista era 8/3, Dia da Mulher, entrada da Lua Nova, mas eu teimosa achava que ela nasceria antes. Meu marido dizia que ela ia ser mais teimosa que eu e não nasceria em Fevereiro de jeito nenhum, nasceria em Março. Quando virou o mês (graças a Deus ela não nasceu dia 29/2), lembrei que quando anunciei a gravidez usei a música do Tom Jobim “Águas de Março”, eu estava com 39 semanas no dia 1/3, tantantantan, era pra qualquer momento. No domingo anterior tive várias contrações, mas nada ritmadas, também algumas de madrugada, estava se aproximando, mas ainda não era a hora.

Passei a semana sem muitas contrações, apenas muito cansada, muitas dores nas costas, vontade de dormir pendurada.

No outro domingo, dia 6/3, tive várias contrações, falei com a Janine e ela me disse para tomar banho quente, se as contrações parassem ou espassassem ainda não era trabalho de parto, então dito e feito, banho quente, contrações paravam.

Dormi bem aquela noite, mas acordei as 7h da manhã com contrações leves de 2 em 2 minutos, fiquei controlando no aplicativo por 1 hora, avisei a Janine e fui tomar um banho, já avisando o Marcos que achava que aquele era “o dia”. Depois do banho as contrações espassaram um pouco, ficaram no intervalo de 7 em 7 minutos, mas não paravam. Pedi para a Janine vir, e o Marcos levou o Fernando na escolinha e foi trabalhar.

Quando a Janine chegou lá pelas 10h30 da manhã, eu estava lépida e faceira, ia nascer minha princesa, ela olhou pra minha cara e disse “tu tá muito sorridente pra estar em trabalho de parto”, e realmente estava apenas no começo do trabalho de parto. Então bora a trabalhar o corpo e mente para desencadear o processo. Fizemos caminhadas, subi escada e exercício na bola de pilates. As contrações ainda eram leves e de 7 em 7 minutos mais ou menos.

Meu pai chegou aqui em casa, para saber como eu estava e convidar para almoçar. Fomos almoçar com o Marcos e  com minha irmã. A Janine foi para casa dela, afinal estava longe de nascer…

Depois do almoço tomei outro banho e fui tentar descansar, mas agora as contrações vinham com cólicas, tipo as menstruais, estavam ficando chatinhas. Lá pelas 15h a Janine voltou, fez massagem para estimular o trabalho de parto e relaxar, mais bola de pilates, mais escadarias e agora os intervalos estavam reduzindo. Minha cara já não estava mais tão lépida e faceira, diz a Janine que era bom sinal…hehehe

O Fernando nem voltou para casa depois da escolinha, ficou com a minha irmã, porque eu já estava precisando de concentração nas contrações e não queria que ele estivesse em volta querendo colo ou atenção sem eu conseguir dar, achei que eu ia ficar nervosa com ele por perto.

O Marcos chegou em casa pelas 18h, e eu já estava com contrações mais doloridas, conversamos com a Janine que sugeriu que esperássemos as contrações ficarem com intervalos de 3 em 3 minutos por pelo menos 1 hora antes que fôssemos ao hospital.

Eram umas 20h30 quando decidimos ir para o Conceição, pega mala, pega bolsa, chama o motorista (meu pai hehehe), respira e vai … Só queria chegar lá e saber com quantos centímetros de dilatação eu estava e ter certeza que a Olívia estava chegando. Coração numa ansiedade e numa tranquilidade ao mesmo tempo… “o dia” tinha chegado.

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