A curiosa irmandade materna

Somos tantas por aí, de todos os jeitos, cores, amores, com tantos super poderes, tantas fragilidades e inseguranças.

Antes de me tornar mãe, me sentia fora desse clube, dessa irmandade, parece que nasce um filho e já nascem amizades, e também inimizades, na vida dessa mãe. Como se com o nascimento do bebê, ganhássemos o ingresso exclusivo para este mundo mágico e louco da maternidade.

Assim que comecei a sair de casa com o primogênito, passear de carrinho, ou ir à shoppings e praças, senti um novo olhar sobre mim, um olhar de carinho, as pessoas sorriem para aquela nova vida, falam coisas bonitas, e também tem os abusadinhos, que fazem alguma piada sem graça, ou pegam na mão do bebê (por que pegar na mão????). E você se sente uma celebridade, só faltam os paparazzis. Mas nesses passeios, quando o olhar se cruzava com o de outra mãe recente, o sentimento de cumplicidade, o famoso estamos juntas, era instantâneo.

Parece que olhamos a outra com o bebê no colo, amamentando, acalmando ou correndo atrás de uma criança, tentando conter um choro, ou controlando uma birra, sentimos legitimamente que aquilo podia estar acontecendo com a gente, sentimos junto.

Olhamos para as mães em volta e sentimos carinho, distribuímos sorrisos de canto de boca, olhamos nosso bebê e olhamos os das companheiras de clube. Nesse rápido instante lembramos que não estamos sozinhas, que ambas temos as madrugadas agitadas (mesmo que o bebê dela não acorde, pode ter certeza que ela acorda para saber se ele está bem), sabemos que trocamos fraldas em quantidades astronômicas, sabemos que nem sempre é fácil e romântico dar banho em nossos filhos, e muito menos botá-los na cama para dormir, sabemos que as vezes os filhos choram sem parar e escondidas choramos porque não sabemos o que fazer, sabemos que a maioria já derreteu pelo menos uma mamadeira ou bico do seu bebê, sabemos que todas nós já limpamos cocos de lugares absurdos, já fingimos que não vimos alguma arte ou malcriação, só para ter um segundo de paz, sabemos e entendemos, que não é fácil ser mãe, mas amamos nossos filhos.

Você pode até pensar em um momento de vaidade “meu filho não é assim”, “meu filho não faz isso”, mas no fundo sabe que logo vai dar de cara na parede, e que em algum quesito nem seu filho, nem seu jeito de maternar são perfeitos, vai olhar em volta arrependida e procurar uma mãe para estender a mão, ou pelo menos pra dar aquele sorriso cúmplice da vida.

No fundo, no fundo, fazer parte dessa irmandade materna, também não é fácil, como irmãs disputamos a coroa da Rainha da Certeza Absoluta, não queremos estar erradas quando se trata do que mais amamos: nossos filhos. Mas também como irmãs estamos aí para o que der e vier, para dar conselhos, compartilhar experiências, pedir socorro, desabafar.

Na próxima vez que estiver por aí, andando com seu filho, olhe em volta, abra os olhos e abra o coração, tenha certeza: você faz parte de uma curiosa irmandade materna.

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