Divórcio com filhos, como lidar?

Vejo muito em grupos de mães, muitas questões sobre essse assunto, que sempre me chama atenção, pois sou filha de pais separados o que me fez muito empatica em relação atenção e avalanche de sentimentos que vivem os pequenos.

A psicologa Jacqueline Amorim, do blog Crescer Psicologia, e nossa colunista, fala um pouco desse assunto pra gente. Confere aqui:

Entre as muitas crises pessoais que um adulto pode passar na vida, o divórcio está entre as mais difíceis de serem enfrentadas. É mesmo muito doloroso. São inúmeras perdas significativas que o casal terá que se deparar, sendo um luto a ser elaborado. E é assim mesmo… Uma avalanche de emoções aparecerá, tornando cada dia um novo desafio a ser conquistado. É normal que nesse período surjam diversos sentimentos negativos, como raiva, frustração, mágoa, confusão, desprezo, desesperança, etc. Afinal, muitos sonhos foram interrompidos, não é mesmo?

No entanto, se a família possui filhos, é preciso respirar fundo e tentar deixar toda a mágoa de lado quando o assunto for o futuro dos pequenos. É mesmo muito difícil tomar decisões tão sérias, como a guarda dos filhos, quando se está tão abalado. Por isso, muita cautela nesse momento. Antes de resolver como será estipulada a guarda, as visitas, e a nova rotina da família, a primeira coisa a se fazer é ficar muito atento aos próprios sentimentos.

É isso mesmo. Antes de sair decidindo, é preciso parar e refletir. Isso porque, em meio a tanta dor, é muito fácil tomar atitudes impensadas, que em outros momentos jamais passaria pela cabeça.

Quando alguém sofre, o lado mais infantil da sua personalidade é acionado. Sabe aquele lado mais egoísta, mais ciumento, mais birrento, que se sentiu lesado, e por isso quer dar o troco? O que costumamos ver em divórcios muito conflituosos é essa parte da personalidade em ação, por isso fica tão difícil agir de forma racional e madura.Mas, quem mais perde nesses casos é quem está mais frágil nesse momento – os filhos. Entre sentir e, de fato agir, há uma distância imensa. Os pais podem sentir raiva, tristeza, rancor. Só não podem deixar que isso se reflita no relacionamento com os filhos. A relação do casal acaba, mas a relação com os filhos é para sempre. E eles têm direito ao que há de melhor em cada um dos pais.
Por isso, fique atento… É fundamental tomar consciência da própria dor, só assim não se agirá em nome dela.

Mas, o que levar em conta quando o assunto são os filhos em uma separação?

Em primeiro lugar, lembre-se: a separação é um processo. Portanto, irá avançar, recuar, terão dias que serão melhores, e outros que serão piores. O que foi decidido hoje, pode não ser o melhor amanhã, e novas combinações precisarão ser feitas. O que não se pode perder de vista é o bem-estar dos filhos. Os pais devem preservá-los, amortecer o impacto das mudanças, tornando o processo um crescimento e não uma destruição para a família.

Dito isso, muitas questões relativas à guarda dos filhos surgem ao longo desse processo, como: Quem vai ficar com os filhos? É melhor ficar com a mãe ou com pai? Com visitas diárias, semanais ou quinzenais? Ou a melhor opção seria a guarda compartilhada?

Encontrar uma resposta pode não ser tão simples assim. São perguntas, na verdade, bastante complexas. Portanto, não tenha pressa em decidi-las. Cada caso é um caso. O importante é ser flexível e aberto à comunicação. Reflita bastante antes de passar as decisões aos filhos. Procure as melhores palavras e seja afetivo. Se o (a) ex-cônjuge se nega a fazer este papel, mantenha-se firme. Lembre-se: seus filhos precisam disso.

Sempre que precisar comunicar algo às crianças, fale com amor e compreensão. Responda as perguntas à medida que eles forem tendo curiosidade, mas lembre-se: assuntos de adultos devem ficar apenas entre os adultos. Nada de ficar expondo os pequenos às picuinhas e às mágoas do ex-casal. Os pais não podem deixar prevalecer seus conflitos quando o assunto são os filhos. Não fale coisas negativas do ex-cônjuge na frente deles, mesmo que seja um bebê. Evite discussões quando estão presentes. Essas atitudes são bastante nocivas e podem trazer muitos prejuízos à saúde emocional dos filhos. Os danos causados por vivenciar uma separação conflituosa podem ser permanentes. Por isso é tão importante que os pais sejam estáveis e continentes aos olhos de seus filhos.

Quando se trata de filhos bebês ou crianças menores de 3 ou 4 anos é preciso tomar um cuidado ainda mais especial. Existe um mito de que quanto menor a criança for menor será o impacto do divórcio, talvez por ela não ter o entendimento da situação e por não sentir a falta do genitor que sai de casa.

Isso não é verdade!

O bebê sente a presença dos pais, sendo impossível não perceber sua falta. E ainda por cima há um complicador nessa fase: o bebê não tem a capacidade de abstração, assim como as crianças maiores têm. Isso quer dizer que a criança pequena ainda não consegue elaborar o pensamento de que o pai ou a mãe saiu de casa, mas ainda assim a ama e quando puder vai vê-la. O afastamento é sentido como uma perda real. Ela só vai adquirir a capacidade de confiar que os pais sempre voltam após sucessivas idas e vindas. Portanto, a dica nesses casos é evitar ao máximo afastamentos prolongados, tanto da mãe, quanto do pai.

Observe muito os seus filhos. Isso lhe dará indícios do melhor a ser feito. Pergunte como eles estão se sentindo. Se eles ainda não têm idade para falar, fique atento aos sinais corporais – tiveram mudanças no sono, na alimentação, têm ficado mais doentes nos últimos tempos? Esses são importantes sinalizadores de que uma reorganização precisa ser feita. Procure enxergar a situação pela perspectiva dos pequenos. Se coloque no lugar deles.

É mais seguro tomar decisões quando se está atento às próprias reações. Por isso sugeri que é importante observar as próprias emoções. Quando surgirem pensamentos, como: “eu não vou deixar meu filho sair com o novo namorado da minha ex, pois não confio nessa pessoa”, ou “eu não vou deixar meu filho com o pai dele, pois ele não saber cuidar”, tenha em mente que isso pode ser reflexo de uma mágoa, e não condizer com a verdade dos fatos.

E, por último, saiba reconhecer quando as coisas estão saindo do controle. Peça ajuda nesses casos, pois o que deve prevalecer é o amor e o cuidado com os filhos quando os pais se separam.

Jacqueline Amorim

Psicóloga CRP 07/24055

Contato: (51) 8041.1240

jacqueline.amorim@outlook.com.br

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