A geração das mães traídas

Tem uma amiga que sempre me dizia: “idéia de jirico daquelas que queimaram o sutiã”. Não me interpretem mal, tenho uma pitada moderada de feminismo no meu ser (digo moderada porque não sou extremista em nada). Eu ia ser bem infeliz se não tivesse a possibilidade e direito de igualdade de gêneros.

Mas vamos combinar que cansa, vamos combinar que quando podemos ser tudo, acabamos querendo ser e ter tudo. Queremos poder tentar uns 3 cursos diferentes na faculdade, queremos mostrar a que viemos ao mundo e mandar ver nesse reinado masculino corporativo. Queremos beber todas, sair por ai sem hora pra voltar, não queremos provedores, queremos sócios e parceiros. Queremos tudo, queremos LIBERDADE.

Queimar o sutiã foi genial em vários aspectos, nada mais é “para sempre” no universo feminino, podemos desistir de tudo, carreiras submissas, casamentos falidos, opiniões retrógradas. Mas nesse TOPLESS da vida, esquecemos do sutiã de amamentação.

Na nossa inocência juvenil, achamos que decidir ter ou não ter filhos faz parte do pacote libertador dos sutiãs na fogueira, mas não é.

Nessa geração de mulheres crescidas na onda do “eu posso tudo”, vem a maternidade, vem o abrir mão do “EU”, abrir mão do direito de ir e vir sem culpa, do “eu posso desistir e recomeçar”. Não queremos em hipótese nenhuma desistir dos filhos, não é isso, mas parece que não fomos avisadas de que o topless é opcional, mas o sutiã de amamentação é obrigatório.

Nos sentimos traídas, “ninguém me contou que as noites em claro seriam tão difíceis”, “que me isolar do mundo exterior seria difícil”, “que me dedicar a um bebê e uma casa seria desgastante”, “que ver o filho sentir dor seria de rasgar o coração”. Ninguém contou, ninguém conseguiu ilustrar e fazer você prever o que seria a maternidade.

Ninguém contou ou você não ouviu? Ninguém contou, ou você só achou que se tratavam de pessoas infelizes, e que você daria conta?

As mulheres que viraram mãe, passam por um tempo se sentindo traídas, traídas por todo mundo que não a fez entender que a maternidade não seria fácil, que não seria comercial de margarina, nem post bonitinho nas redes sociais. Se sentem traídas, porque as prometeram liberdade eterna, mas elas viram que um filho seria sua responsabilidade para sempre.

Mas tudo isso passa, aos poucos o sutiã de amamentação volta para gaveta, e você percebe que pode fazer topless ou usar um sutiã descolado, você entende que não se trata de perder a liberdade, mas de se tornar alguém melhor, uma evolução, metamorfose, recriação, a melhor versão de você mesma. Finalmente compreende que em nenhum momento foi traída, porque ninguém poderia lhe fazer  entender a complexidade da maternidade apenas por palavras.

O coração e a alma gravam o que você vive, e com seus filhos vai ser sempre uma vida de amores, dissabores, sorrisos, lágrimas e um infinito aprendizado.

 

 

Anúncios

9 comentários sobre “A geração das mães traídas

  1. Me senti assim nos primeiros meses do nascimento do Nathan, sabia que não seria fácil, mais pra mim foi um desgaste total, até porque tive problemas pessoais, depois que foi agindo naturalmente e sou totalmente realizada na maternidade e na vida !!

    Bjs

    mamaenathan.blogspot.com

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s