O medo do parto

Gerar uma vida é um daqueles mistérios do universo, que muitas vezes nem queremos entender, apenas sentir. Pouco importa quais são as etapas de desenvolvimento do bebê, queremos sentir os primeiros movimentos, Birth Doesn't have to Suck--YES! Becoming informed was one of the best things I did for myself and my birth; totally changed my perspective and took a lot of fear out of the process. It's not mentioned here, but I highly recommend Bradley Method classes for this.: queremos observar as mudanças do nosso corpo, queremos ser admiradas por carregarmos aquele pequeno milagre.

Ter um filho e gestar um bebê é o sonho de muitas mulheres, mas parir dá medo. Gestar no imaginário popular é lindo, parir é torturante. O que faz com que não acreditemos que é possível ter um parto feliz?

É normal que tenhamos medo de um evento totalmente desconhecido, que em tese, será doloroso e cheio de sofrimento, e que a principio você tem a alternativa de não passar por isso. Mas temos que pensar no parto como uma maratona, você tem que se preparar física e emocionalmente para esse dia, com conhecimento, técnica e tranquilidade. Durante a maratona é bem possível que sinta dores, mas você se preparou para aquele dia, e vai querer atravessar a linha de chegada.

Quando me preparei para o parto da Olívia, entendi muitas questões que não havia percebido na gestação do Fernando, coisas que não me atentei a questionar, pesquisar, e pensar que comigo seria diferente:

  • HISTÓRIAS DE PARTOS SOFRIDOS – Escutei muitas histórias ruins sobre partos, sobre lacerações terríveis, sobre as dores insuportáveis, sobre maus tratos durante o parto, tudo aquilo me aterrorizava, mas a quando pesquisei mais a fundo questões do parto normal, entendi que aquelas experiências ruins nada tinham a ver com o parto em si, mas com intervenções desnecessárias e violências obstétricas que nenhuma mulher deveria passar, como:
    • Ficar sem comer nem beber – Muitos médicos proíbem o consumo de qualquer líquido e alimento no trabalho de parto pois pode haver necessidade de uma cesárea, o que é realmente ruim para todo o processo, pois o corpo vai ficando esgotado e perde energia tão necessária para o parto. Claro que é aconselhado uma dieta leve durante o trabalho de parto, mas passar horas e horas sem tomar nem água é algo torturante. A OMS orienta que sejam oferecidos líquidos via oral a parturiente durante todo o trabalho de parto, e em alguns países se orienta o consumo de frutos e alimentos leves.
    • Não poder mudar de posição – Outra prática comum nos hospitais é manter a mulher deitada, em posição litotômica, que é aquela posição ginecológica, igualzinho ao consultório médico. Segundo a enfermeira Nanucha T. Silva, do grupo Parto do Bem, nessa posição “a pelve fica imóvel, todos ligamentos, principalmente os sacros ficam imóveis, por isso a mulher faz mais força pro bebê descer, então dói mais. Na posição vertical (em pé, de joelhos e etc) o quadril e a pélvis ficam livres, os ligamentos da sacra se movem e pode ampliar em até 2cm a abertura pélvica, o que  favorece muito o parto, doendo menos.”. Também segundo a Nanucha, a posição ginecológica acaba proporcionando a necessidade de intervenções como a utilização de fórceps e episiotomia (corte na região da vagina para a ajudar na passagem do bebê). Durante todo o trabalho de parto da Olívia caminhei e me movimentei, sempre ficando na posição que me sentia melhor, e depois da minha experiência entendi porque tantas mulheres sentem tanta dor durante o parto, pois a posição mais dolorida para mim, com certeza era deitada.
    • Episiotomia – De acordo com a OMS são indicações de episiotomia: Sofrimento fetal; Progressão insuficiente do parto (; Iminência de laceração de 3º grau (quando há grande risco de lesões que afetem o esfíncter anal). Existem dois ângulos de corte, mediano que é entre o anus e a vagina,  e lateral que é entre 40 e 60 graus.O mais usado é o lateral. Eu acabei tendo a Olívia em posição litotômica e foi realizada a episiotômia com meu consentimento e com anestesia local, o corte é pequeno, em direção a coxa, e os pontos são absorvidos. pelo organismo. Mas sei que se o parto fosse de cócoras ou na banqueta de parto, a chance de ter que fazer a episiotomia seriam quase zero.
    • Laceração – Normalmente ocorrem quando existem esforços de puxo prolongados e dirigidos (manobra de Valsalva) durante o período expulsivo. Ou seja, quando o corpo da mulher não dá sinais para que ela faça força, e ela acaba fazendo.

A OMS, Organização Mundial da Saúde, tem uma lista de recomendações ao parto normal, que fala das práticas não aconselhadas, mas que infelizmente são comuns, principalmente nas mulheres que não tem informação, LEIA AQUI

  • DOR – Sim, há dor em vários níveis em várias etapas, eu não senti dor até os 6 centímetros de dilatação, quando a bolsa foi rompida artificialmente, depois disso a dor foi intensa, e depois de 3 horas solicitei a analgesia, que no meu caso, tirou completamente a dor. Na hora do expulsivo, a analgesia não tinha mais efeito, e eu não tive dor alguma no final, sentia vontade de fazer força, e quando ela saiu senti uma pressão no quadril, mas só. Existem mulheres que sentem dor desde o início da dilatação, outras que não sentem praticamente nada até o momento final. Mas a dor não é continua, ela dura só o tempo da contração, e existem muitos métodos de aliviar a dor durante todo o processo.  Pense na dor de parto como uma dor intensa nas costas ou quadril, digo que queimar a mão é bem mais dolorido 😉

Sempre aconselho que a mulher se prepare para este momento, pode ser por cursos, aulas de yoga, tendo uma doula. Manter a tranquilidade e a respiração, além de se sentir apoiada e incentivada durante todo o processo é fundamental para um parto emocionante e feliz.

Este texto tem o objetivo de compartilhar com vocês as informações que recebi durante minha segunda gestação, e encorajar  que gostariam de um parto normal, mas tem medo dessa experiência.

Beijos,

Alê

 

Fontes:

http://guiasaudedamulher.com/saude-da-mulher/gestacao-saude-mulher/indicacoes-episiotomia-o-limiar-entre-necessario-violencia-obstetrica.html

http://www.auladeanatomia.com/novosite/sistemas/sistema-esqueletico/coluna-vertebral/sacro/

http://www.gineco.com.br/saude-feminina/gravidez/parto/

http://institutonascer.com.br/wp-content/uploads/2014/03/Femina352p101-61.pdf

http://www.ebc.com.br/infantil/para-pais/2014/09/voce-conhece-as-recomendacoes-da-oms-para-o-parto-normal

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