Parto ativo e o papel do acompanhante

Olá gurias, é com muita alegria que a partir de hoje temos nova colunista, a Rochelle de Carli, que é enfermeira e doula. Aproveitem o texto 😀

O dia em que a mulher entra em trabalho de parto é rodeado por sentimentos diversos. Se por um lado a mulher pode sentir  felicidade por saber que logo poderá  ver rostinho do bebê que a acompanhou nesses longos e intermináveis meses. Por outro lado o medo e a insegurança podem tomar conta desse momento, a superação desses sentimentos está diretamente ligada a cultura dessa mulher, suas crenças e o quanto ela conseguiu se informar e preparar para o parto.

Podemos dividir o  trabalho de parto em 4 fases: os pródromos (quando o corpo começa a “ensaiar” para o parto), a fase latente (quando  as contrações ficam ritmadas), a fase ativa (é  essa que vamos detalhar mais nesse texto) e a fase expulsiva (quando o bebê começa a descer).  Vale ressaltar que o início do trabalho de parto indica que o bebê está pronto para a vida fora do útero.

 A literatura diz que essa fase pode durar até 12 horas, entretanto pode variar muito de acordo com a evolução do trabalho de parto de cada mulher. Na fase ativa as contrações começam a ficar mais intensas e mais frequentes, nesse momento a mulher estará com cinco dedos de dilatação e a fase ativa seguirá até que a dilatação se complete (10 dedos). Devido ao aumento da intensidade e frequência das contrações, as dores começam a se intensificar também, são o colo uterino e a pelve se expandindo ao máximo para a descida do bebê. Normalmente, nessa fase é que a mulher deve ir para a maternidade e no caso de um parto domiciliar é o momento de chamar a equipe que acompanhará o parto.

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Mas por que é tão importante falarmos sobre a fase ativa? Porque é nessa fase que a mulher precisa sentir-se segura e manter-se calma. Digamos que essa é a fase que mais exige que a mulher se entregue para esse parto. Aqui a mulher pode pensar em desistir, não sentir-se capaz ou com forças para ir até o final. Algumas coisas podem ser feitas para ajudar a mulher a atravessar essa etapa que é tão importante para o nascimento do bebê.

Eu costumo dizer que a informação é a maior aliada da mulher para vivenciar a experiência do parto, saber o que vai acontecer durante o trabalho de parto, como vai acontecer, e por qual motivo precisa acontecer, ajuda a mulher a vivenciar de forma mais tranquila  todas as etapas necessárias para o nascimento do bebê. Então quanto mais a mulher se informar e tirar suas dúvidas, mais preparada ela estará. Os grupos de gestante são espaços poderosos de trocas de experiência e compartilhamento de informações, permita-se participar de alguns encontros! Muito importante, também, confiar no profissional/equipe que escolhemos para fazer o parto e sentir-se a vontade para conversar com ele sobre o assunto.

Mas e quando a mulher estiver lá, na fase ativa, o que pode ajudar? A companhia de pessoas que  ela confia que a encorajam e que não deixam, nem por um minuto, ela esquecer o porquê de ter escolhido o parto natural (como o parceiro, a doula, um familiar, uma amiga, etc.) ajuda a mantê-la calma e confiante não só na fase ativa mas em todo o trabalho de parto. Aqui as técnicas de alívio não farmacológico da dor são mais do que bem-vindas, então é o momento de um banho quente, uma massagem, sentar na bola, movimentar-se, achar uma posição em que ela se sinta mais confortável. Não esquecer de manter a hidratação e a alimentação (alimentos leves), pois há um grande gasto de energia durante o trabalho de parto. A gente sabe que a dor  pode causar desgaste tanto físico quanto psicológico, por isso entre uma contração e outra é fundamental (e possível!) reorganizar a respiração, relaxar, trocar de posição se for necessário. Pode ser que a gestante pareça estar sonolenta (a famosa partolândia) em algum momento dessa fase e é importante que ninguém interrompa com perguntas ou conversas. Um ambiente com ruídos mínimos e luz baixa ajuda na evolução do trabalho de parto!

É sempre bom que possamos nos manter positivas nos momentos desafiadores, podemos pensar que a contração é uma onda que irá iniciar, atingirá seu ápice, se dissipará e após um intervalo outra onda virá. Assim, quanto mais ondas passarem, mais perto se estará do momento de, finalmente, ter o bebê nos braços!      

 

Rochelle de Carli
Coren 341560
Doula desde 2015

 

Foto: Jenn Elfner Birth + Photography

 

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