Retirada do Bico – Chegou a hora?

Eu ando no dilema do bico aqui em casa, Fernando vai completar 3 anos e adora o “bibi”, então foi o momento certo para chamar nossa querida colunista Jacqueline Amorin, para falar sobre o assunto.

Confere o texto aqui:

Este é um passo importante a ser dado na vida dos pequenos. Anuncia crescimento e desenvolvimento! Muitos pais esperam com grande expectativa esse momento. Mas, é aí que às vezes o “bicho pega”. O que se imaginava que seria uma transição fácil, acaba se tornando uma tortura, um campo de batalha entre pais e filhos. Pais ficam perdidos, não sabem como ajudar as crianças a resolver esse impasse e muitos acabam ou desistindo, ou partindo para uma atitude mais autoritária e impositiva, como se fosse um “baid-aid” a ser retirado, “quanto mais rápido melhor”. Há ainda pais que nem pensam em oferecer o bico ao bebê, pois já imaginam a dificuldade que se terá no futuro para a criança deixá-lo.

Então, eu diria que a primeira coisa a se falar para pais que estão buscando ajuda para essa fase é entender que o bico não é um simples objeto, que foi dado e que uma hora precisa ser retirado! Não. O bico é um objeto que teve por muito tempo uma função muito importante para a criança: de confortá-la, de ampará-la, de tranquilizá-la, e que lhe dava muita satisfação e prazer. Portanto, tem que se ter em mente que será muito dolorido deixar algo tão valioso para trás. Algumas crianças terão mais facilidade, mas outras poderão resistir com muita força, afinal, elas ainda desconhecem outras formas de se confortar. Ou conhecem muito poucas – “mamá”, colo… Avançar a uma nova etapa tão desconhecida não é tarefa fácil! Uma etapa na qual ela precisará recorrer a meios mais eleborados nos momentos em que estiver se sentindo triste, em apuros, assustada, ou até quem sabe entediada. Por isso, algumas crianças se sentirão perdidas, sem chão.

Mas aí que entra o papel fundamental dos pais. Um papel de passar tranquilidade, segurança e apoio. Os pais devem mostrar como é triste sim deixar para trás algo que é tão bom e tão confortador, mas também devem mostrar os ganhos que essa criança que está crescendo poderá ter! Agora ela poderá criar novas formas para lidar com essas diversas situações, e não recorrendo a “apenas” uma. É uma perda? É. Mas vem com outras conquistas junto!

Outro ponto importante sobre este assunto é sobre a conhecida “fase oral”. Muitos pais perguntam até que idade vai a fase oral. E quando percebem que a criança já “passou” da idade da bendita fase, se desesperam e correm para tirar qualquer coisa que aluda a essa fase primária, tão vinculada ao bebê. Mas, é aí que entra outra informação importante, que pode tranquilizar pais e professores. A criança passa sim por fases, onde explora o mundo e obtém prazer prioritariamente através de zonas específicas, como a oral, a anal, etc. Na fase oral, por exemplo, o bebê põe tudo na boca, quer conhecer as texturas, os sabores, as formas, etc. Mais tarde, é um prazer enorme aprender a controlar o cocô, o xixi, ter mais autonomia, dizer sim, dizer não, etc. Só que, ao atravessar por essas fases, a criança não apenas percorre elas, como se fosse de uma ponta a outra e pronto, passou. Não. A criança também adquire as habilidades e recursos que aprendeu nessas fases, levando-os para o resto da sua vida!

Ou seja, a criança pode até sair da fase oral e passar para a seguinte, mas o que ela aprendeu ali jamais será perdido, extraviado. Pelo contrário. Todos nós, adultos e crianças, temos recursos que aprendemos em cada fase, e lançamos mão deles todos os dias e nem nos damos conta. Não é um prazer comer algo delicioso? Não é um alívio chorar quando estamos tristes, angustiados? Não é um prazer ganhar uma competição? Poderia citar inúmeros exemplos. Todos eles são recursos que fomos conquistando desde a infância, que ampliaram nosso repertório frente à vida, graças às conhecidas fases!

Por isso, não existe essa da criançar deixar completamente uma fase. Não desta forma linear. O que deve acontecer é a criança ir, com a ajuda dos adultos, ampliando e complexizando seus recursos para lidar com a vida. A criança vai internalizando os ganhos, as perdas e assim tendo cada vez mais recursos emocionais para enfrentar seu dia a dia.

E a pergunta que não quer calar: como fazer isso?! Bom, com muito amor, muita sensibilidade, sempre observando a capacidade da criança de enfrentar esse período. Com ideias criativas, muito lúdico e muita brincadeira é possível fazer do limão uma bela limonada, estreitando o vínculo e aproveitando a oportunidade para juntos crescer!

 

Jacqueline Amorim
Psicóloga CRP 07/24055
Atende pais, crianças de 0 a 3 anos,
gestantes, puérperas e tentantes.
Contato: (51) 98041.1240
jacqueline.amorim@outlook.com.br

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